Era hora de dormir, mas tinha algo estranho no céu: a janela de Nina estava escura, escura... Cadê a Lua, que toda noite vinha dar boa noite?
As estrelas cochichavam, preocupadas: "A Lua dormiu demais! E sem a Lua... quem cuida do sono de todo mundo?"
"Eu posso acordar a Lua", disse Nina, apertando o coelhinho Fiapo. E a estrela mais velhinha sorriu: "Então venha. Mas na ponta dos pés — a noite gosta de silêncio."
Nina subiu por uma escada de poeira de estrelas — degrau macio, degrau morno — shhh... lá embaixo, a cidade inteira já sonhava.
A primeira parada foi a Nuvem dos Sonhos Novinhos, onde os sonhos nascem fofos como filhotes. Um deles seguiu Nina — parecia um cachorrinho feito de algodão.
"Para onde vai a Lua quando some?", perguntou Nina ao Vento da Noite. "Vem, eu te levo", bocejou o vento. "Mas segura no meu cachecol, que eu sopro devagarinho."
No caminho, os passarinhos da noite ensinaram o primeiro segredo do sono: respirar fundo três vezes, como quem cheira uma flor. Um... dois... três...
Mais adiante, as ovelhas do sono pulavam a cerca em câmera lenta. "Quer contar com a gente? É o nosso trabalho preferido do mundo." Uma ovelha... duas ovelhas... três...
Nina bocejou o primeiro bocejo. "Está funcionando", riu baixinho o Vento. "Bocejo é o sapato que o sono calça para chegar."
Chegaram então ao Lago dos Sonhos, onde a noite guarda os sonhos bons de todas as crianças. E lá no fundo, enrolada numa nuvem... era ela. A LUA, dormindo!
A Lua ressonava tão gostoso que ninguém tinha coragem de acordá-la. "Ela cuidou do sono do mundo a noite inteira, todas as noites", explicou o Vento. "Até quem cuida precisa descansar."
Nina pensou no colo que recebia toda noite. E teve uma ideia do tamanho do céu: "Se a Lua cuida de todo mundo... hoje, quem cuida da Lua sou EU."
Bem baixinho, Nina cantou para a Lua a canção que conhecia de cor — aquela de toda noite, que faz o coração ficar quentinho e os olhos, pesadinhos.
A canção fez cócegas de carinho na Lua, que abriu um olho... depois o outro... e sorriu o sorriso mais prateado do universo: "Que sono BOM. Faz mil anos que ninguém canta pra mim."
"Você veio até aqui... por mim?", perguntou a Lua. Nina fez que sim. E a Lua guardou aquele carinho no lugar onde a luz dela nasce.
A Lua subiu de volta para o céu, redonda e reluzente, e o mundo suspirou aliviado nas suas camas. Mas antes, ela se curvou: "Suba. Hoje eu levo você."
E lá se foi Nina, navegando o céu no colo da Lua, vendo lá embaixo os sonhos acesos de todas as casas — cada janela, um sonho; cada sonho, uma cor.
"Qual é o segredo para dormir bem?", perguntou Nina, já de olhos pequenininhos. E a Lua respondeu: "Saber que a noite não é o fim do dia. É o colo dele."
A janela do quarto apareceu lá embaixo, quentinha e conhecida. A Lua entrou de mansinho e deitou Nina na cama, cobrindo com o edredom até o queixo. Bem do jeitinho certo.
"Boa noite, Nina", sussurrou a Lua. "Toda noite, quando minha luz entrar pela sua janela, é um recado meu: pode dormir. Eu estou cuidando."
O sonho-cachorrinho de algodão se enroscou aos pés da cama — porque sonho bom, quando encontra uma criança que cuida dos outros, nunca mais vai embora.
E Nina dormiu. Do sono mais macio, fundo e bom — sabendo que lá fora a Lua brilhava, e aqui dentro o amor ficava de conta.
E se uma noite o céu parecer escuro demais, você já sabe o segredo de Nina: respire fundo três vezes, conte três ovelhas, cante baixinho... que o sono vem, de mansinho, te buscar.
Boa noite, Nina. A Lua está no céu, o mundo está sonhando... e você é amada — hoje, amanhã e todas as noites do mundo.