A pedra que Nina guardava na estante fez um barulho: TUM. Depois outro. Não era bem uma pedra. Era uma porta enrolada! Quando se abriu, apareceu um caminho entre samambaias enormes.
Nina atravessou a passagem e ouviu um soluço. Atrás de uma folha havia um focinho. Atrás do focinho, um pescoço. E atrás do pescoço… — Você termina onde? — perguntou Nina.
— Lá atrás — respondeu o dinossauro. — Eu sou Nino. Estava seguindo uma borboleta e perdi meu rebanho. Nina olhou o caminho vazio. Nino fungou. A borboleta também tinha ido embora.
Nina encontrou uma pegada do tamanho de uma banheira. Nino colocou a pata dentro dela. Sobrava espaço de todos os lados. — É da minha mãe! Ela anda levando a casa inteira nos pés.
Seguiram as marcas até uma bifurcação. À esquerda, círculos. À direita, riscos compridos. Nina apontou para os círculos. Nino concordou. Um rebanho daqueles devia deixar um caminho bem fácil.
O caminho terminou num lago. PLOC! Uma fruta caiu na lama e fez um círculo igualzinho. Nina olhou para a árvore carregada. Nino olhou para os círculos. — Seguimos as pegadas de uma fruta!
Nino sentou tão depressa que levantou um monte de folhas. — Nunca vou achar minha mãe. Nina sentou ao lado dele. — Ainda temos o outro caminho. E agora sabemos reconhecer uma fruta andando.
De volta à bifurcação, Nina reparou em algo novo: os riscos passavam entre pegadas grandes. Nino arrastou a ponta do rabo. Fez um risco parecido. — Minha família esquece de levantar a cauda!
Para não esquecer, Nina desenhou numa folha: uma pata redonda e um rabo comprido. Nino quis ajudar. O desenho dele ficou parecendo uma batata. Decidiram que era uma batata muito útil.
As pegadas levaram os dois até uma faixa de pedras. Ali, sumiram. Nina procurou no chão. Nino procurou no próprio pé, como se a resposta pudesse estar grudada embaixo. Nada.
— O que sua família faz enquanto anda? — perguntou Nina. — Come. Anda. Come de novo. Nino esticou o pescoço para uma folha. Nina levantou os olhos. Os galhos mais altos estavam mordiscados!
Seguiram os galhos mordidos. Nina anotou outra pista no mapa. Nino anotou outra folha na barriga. — Investigar dá fome — explicou. Dessa vez, a risada dos dois espantou só uma libélula.
Um som comprido atravessou o vale. UUUUM! Nino levantou a cabeça. — É ela! Nina sorriu. Mas veio outro UUUUM, do lado contrário. E mais outro. O vale estava repetindo a voz.
Nino quis correr para todos os lados. Nina segurou o mapa aberto. — Vamos juntar as pistas. Pegadas, caudas, folhas comidas. A voz pode voltar. As pegadas não dão meia-volta sozinhas.
Logo apareceu um riacho. As pegadas entravam na água e reapareciam do outro lado. Nino olhou para Nina. Os adultos tinham pernas enormes. Os dois viajantes, nem tanto.
Nina procurou ao longo da margem. Um pouco adiante, o riacho se dividia em fios de água entre pedras largas. Nino encostou o focinho no mapa. — Caminho pequeno para pernas pequenas!
Atravessaram devagar, pedra por pedra. Nina esperava Nino; Nino esperava Nina. No fim, o filhote deu um pulinho de alegria. O rabo ficou para trás e tomou um banho de surpresa.
Do outro lado, havia muitas pegadas misturadas. Grandes, pequenas, novas, antigas. Nina respirou fundo. Nino encostou a cabeça no seu ombro. — Podemos descansar antes da próxima ideia? Podiam, sim.
Enquanto descansavam, uma gota escorreu do rabo de Nino para uma pegada. Nina reparou: algumas marcas ainda tinham água brilhando. As outras já estavam secas. O rebanho tinha passado por ali fazia pouco!
As marcas molhadas seguiam até uma colina. Nina e Nino subiram pelo caminho largo. Primeiro apareceu uma cabeça. Depois outra. Depois tantos pescoços que parecia ter nascido uma floresta nova.
— MÃÃÃE! Nino disparou pelo último pedaço da trilha. Uma cabeça enorme se abaixou até ele. Nina viu dois focinhos se encostarem. O pequeno tremia de alegria. O grande também.
A mãe de Nino agradeceu com um sopro quentinho que bagunçou o cabelo de Nina. Nino mostrou o mapa. — Encontramos vocês com uma pata, um rabo, uma folha… e uma batata.
Na hora de voltar, Nino acompanhou Nina até a passagem, com a mãe logo atrás. Deu uma folha novinha à criança. — Para o próximo mapa. Só não siga frutas, combinado?
A pedra voltou para a estante. Nina guardou a folha embaixo dela. Na manhã seguinte, encontrou um risquinho comprido no chão do quarto. Podia ser uma linha. Ou alguém tinha esquecido de levantar a cauda.