TOC, TOC, PLOC! Theo abriu a porta e encontrou uma capivara com uma folha enorme na cabeça. — É um convite — explicou ela. — Mas também serve de chapéu quando chove.
A capivara se chamava Cacá. Naquela tarde haveria uma festa na floresta, e Theo estava na lista! — Pode levar sua melhor dança. A minha só funciona da cintura para baixo.
Theo seguiu Cacá por um caminho de flores. Já dava para ver as bandeirinhas. Já dava para sentir o cheiro de bolo. Mas ouvir a música? Não dava, não.
O tucano Tico mostrou a Theo três estojos vazios. A chuva tinha levado os instrumentos da banda! Lili, a anta, já guardava as bandeirinhas. — Sem música, acabou a festa.
— Espera! — pediu Theo. — A gente pode procurar. Tico abriu as asas, Lili ergueu o focinho e Cacá terminou de mastigar. Até uma grande missão podia esperar uma última folhinha.
Perto do riacho, Theo encontrou um tambor. Ou o que tinha sido um tambor. Estava cheio de água, com um sapo muito satisfeito lá dentro. — Minha piscina nova! — anunciou o sapo.
Tico encontrou a flauta presa num galho. Ela estava rachada. Theo soprou bem de leve: FFFFFFF. — Parece alguém esfriando sopa — disse Cacá. Não parecia música de festa.
O chocalho apareceu debaixo de uma folha. Theo sacudiu. Nada. Sacudiu outra vez. Nadinha. As sementes tinham escapado por um buraco. Cacá suspirou tão alto que uma borboleta mudou de direção.
Theo sentou num tronco para pensar. PLOC. Uma gota caiu numa folha. PLOC, PLOC. Outra respondeu. Lá longe, um pica-pau fez TOC-TOC-TOC. A floresta não estava sem música.
— Fechem os olhos um pouquinho — pediu Theo. Veio um farfalhar. Depois um assobio. Depois… GRÓÓÓ. — Foi minha barriga — confessou Cacá. — Ela também quer entrar na banda.
Theo bateu duas palmas. Tico respondeu com um assobio. Lili bateu a pata: TUM! Cacá esfregou duas folhas: CHÁ-CHÁ! Quatro sons. Quatro sorrisos. Talvez desse certo.
Deu certo por três segundos. Depois Tico correu, Lili atrasou e Cacá fez CHÁ-CHÁ sem parar. Theo tentou acompanhar. Parecia uma gaveta de panelas caindo da árvore.
Lili baixou as orelhas. — Minha pata faz barulho demais. Vou só assistir. Theo olhou para o chão, depois para Lili. — Faz de novo? Acho que é desse TUM que a gente precisa.
TUM… TUM… TUM… Lili marcou o passo. Theo entrou com as palmas, bem no meio. Tico esperou sua vez. Cacá ouviu antes de tocar. Agora os sons cabiam uns nos outros.
Um bicho-preguiça apareceu trazendo a última bandeirinha. — Ainda dá tempo? — perguntou. Theo respondeu que sim. Ele abriu um sorriso e ofereceu seu som: um loooongo bocejo.
Cacá quis ensinar o preguiça a tocar depressa. O preguiça quis ensinar Cacá a respirar devagar. Theo teve outra ideia: o bocejo comprido abriria a música. Ficou tão engraçado que todos quiseram ouvir de novo.
Tudo pronto. Até que o vento soprou e levou as folhas de Cacá! Ela correu atrás de uma, depois de outra. Theo segurou uma bandeirinha. A banda estava perdendo seu CHÁ-CHÁ!
— E agora? — perguntou Cacá. Theo esfregou as mãos. CHÁ-CHÁ. Cacá esfregou as patas. CHÁ-CHÁ! Depois riu. — Ainda bem que o vento não leva minhas patas.
Os convidados chegaram. Havia orelhas compridas, bicos curtos e rabos de todos os tamanhos. Theo espiou por trás do palco. A barriga deu uma cambalhota. Lili marcou um TUM baixinho, só para ajudar.
Theo ergueu as mãos. O preguiça bocejou. Lili fez TUM. Vieram as palmas, o assobio e o CHÁ-CHÁ. A primeira fila mexeu os pés. A segunda mexeu os rabos. A festa começou!
No meio da música, Theo apontou para os convidados. — Agora vocês! Vieram palmas, patinhas e um espirro. Cacá achou o espirro tão bom que tentou repetir. Saiu um soluço.
Dançaram até o céu ficar cor de manga. Theo dançou com Lili, com Tico e com Cacá. O preguiça também dançou. Quem olhasse com bastante paciência conseguia perceber.
Na volta, Cacá entregou a Theo a folha-convite, agora sequinha. — Para a próxima festa. — E os instrumentos? — perguntou Theo. Cacá ergueu as patas e piscou.
Naquela noite, Theo ouviu a chuva na janela: PLOC, PLOC. Fez duas palmas bem baixinho. De algum lugar da floresta veio um assobio. E, um pouquinho depois, um loooongo bocejo.